Com o início de um novo ano letivo, começa a preocupação com os lanches das crianças.
Os principais influenciadores dos seus hábitos alimentares são os pais, encarregados de educação, amigos e familiares próximos, mas também o marketing gerado em redor de determinados alimentos. Hoje em dia, os pais têm um estilo de vida acelerado, negligenciando assim a preparação de refeições saudáveis, recorrendo a alimentos processados ou, por vezes, sujeitando as crianças à oferta alimentar dos bares da escola. É certo que podem existir opções saudáveis e equilibradas nestes locais, no entanto, se em casa não lhes foi incutido determinados hábitos, quando a escolha depende apenas delas, o resultado pode não ser o mais apropriado. Já para não falar das crianças que aproveitam esses momentos para comer tudo o que lhes apetece, sem qualquer restrição ou supervisão.
De acordo com o Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física 2015-2016, as crianças e adolescentes são os grupos etários que mais consomem quer leite quer iogurtes e que apresentam um consumo de produtos hortícolas e fruta inferior ao recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Os adolescentes são, em simultâneo com os adultos, os maiores consumidores de carnes processadas e vermelhas. O consumo de refrigerantes ou néctares é superior na faixa etária dos dez aos dezassete anos, mas os refrigerantes são mais proeminentes, verificando-se um consumo diário em 25% deste grupo de dois refrigerantes(1).
Vai continuar a fazer isso ao seu filho? Tem noção do mal que lhe está a fazer?
A obesidade é uma doença crónica e considerada a epidemia do século XXI. Não abrange apenas adultos, são cada vez mais o número de crianças e adolescentes com esta acumulação anormal ou excessiva de gordura prejudicial à saúde.
Um desequilíbrio energético, ou seja, um consumo energético superior ao gasto resulta em ganho de peso. E isto deve-se a um consumo excessivo de alimentos com elevada densidade energética, ricos em açúcar e/ou gordura, e ao sedentarismo(2).
De acordo com dados recentes, 7.7% das crianças (<10 anos) e 8.7% dos adolescentes (10-17 anos) são obesos. E, 17.3% das crianças e 23.6% dos adolescentes apresentam uma condição de pré-obesidade(1).
As crianças e adolescentes de hoje, são os adultos de amanhã. Obesidade na idade pediátrica aumenta a possibilidade de desenvolverem obesidade ou incapacidade na fase adulta. Sendo que a morte prematura é uma realidade, muito devido à presença das doenças cardiovasculares, diabetes, distúrbios músculo-esqueléticos ou alguns tipos de cancro (2).
É nesta faixa etária que criamos hábitos, e daí a importância de, em família, criar rotinas saudáveis. Uma alimentação saudável nem sempre significa refeições recheadas de alimentos caros e que demore uma eternidade a preparar. Veja as nossas dicas para preparar uma lancheira saudável para o seu filho.
Primeiro, que tudo inclua uma fonte de:
Proteína: iogurte natural ou de aromas, leite meio-gordo não achocolatado, 1 ovo (cozido, mexido sem adição de gordura), queijo fresco, queijo flamengo fatiado.
Hidratos de carbono: pão escuro, flocos de aveia, muesli, millet puff.
Vitaminas e minerais: fruta
Segundo, opte por variar a forma de apresentação:
Panquecas de aveia e banana

Ingredientes:
- 1 ovo
- 3 colheres de sopa de flocos de aveia
- ½ banana
Preparação:
Colocar todos os ingredientes numa liquidificadora e triturar até obter uma massa homogénea.
Levar uma concha da massa a uma frigideira antiaderente. Quando começar a ver bolinhas na massa é altura de virar.
Pode servir com fruta ou mel e canela em pó.
Iogurte natural, cereais millet puff e fruta

Ingredientes:
- 1 iogurte natural
- 2 colheres de sopa de cereais millet puff
- 1 peça de fruta
Preparação:
Colocar numa taça o iogurte, os cereais e a peça de fruta cortada em pedaços.
Referências bibliográficas:
- Lopes C, Torres D, Oliveira A, et al. Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física 2015-2016. 2017 [cited 2017 Jun 4]; Available from: https://ian-af.up.pt/sites/default/files/IAN-AF_Relatório Resultados_v1.2_0.pdf
- World Health Organization. Obesity and overweight. WHO. World Health Organization; 2016.
Cláudia Sobral Silva, nutricionista CP 3013N


